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Juros compostos

Juros compostos: o que são e como funcionam

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Juros sobre juros com números de exemplo, e por que tanta gente subestima essa conta.

Uma frase muito repetida diz que Einstein chamou os juros compostos de oitava maravilha do mundo. Não há registro de que ele tenha dito isso: a versão mais antiga que se conhece é de um anúncio publicado num jornal americano em 1925 (Quote Investigator, 2019). A conta por trás da frase, porém, é real.

Nos juros compostos, o rendimento de cada período entra no valor investido e passa a render também. Por isso se fala em juros sobre juros. Em poucos anos, a diferença para os juros simples é pequena. Em algumas décadas, ela vira a maior parte do resultado.

Este artigo mostra essa conta com números fictícios e o que as pesquisas dizem sobre ela. Ele não diz onde investir nem promete rendimento: as taxas usadas aqui são de exemplo.

Juros simples e juros compostos

Nos juros simples, o rendimento é sempre calculado sobre o valor inicial. Nos compostos, ele é calculado sobre o valor do fim do período anterior, que já inclui os juros ganhos até ali.

Com R$ 10.000 rendendo 6% ao ano, a diferença fica assim:

AnosJuros simplesJuros compostos
1R$ 10.600R$ 10.600
10R$ 16.000R$ 17.908
20R$ 22.000R$ 32.071
30R$ 28.000R$ 57.435

No primeiro ano, as duas contas empatam. Em 30 anos, os juros compostos chegam a mais que o dobro dos simples. A conta de cada ano é só o valor do ano anterior vezes 1,06.

Com aportes, o tempo pesa mais

Quem investe um pouco todo mês faz essa conta com cada aporte, e o dinheiro que entra cedo tem mais anos para render. No exemplo abaixo, a pessoa aporta R$ 500 por mês, ou R$ 6.000 por ano, e o dinheiro rende 6% ao ano. Para simplificar, os aportes de cada ano entram juntos no fim dele.

Anos aportandoTotal aportadoValor no fimParte que veio dos juros
10R$ 60.000R$ 79.08524%
20R$ 120.000R$ 220.71446%
30R$ 180.000R$ 474.34962%

Em 10 anos, quase um quarto do valor veio dos juros. Em 30, mais de 60%. E quem aporta por 30 anos termina com mais que o dobro de quem aporta por 20: os 10 anos a mais acrescentam R$ 253.635, mais do que todo o dinheiro aportado nos 30 anos.

Por que a gente subestima essa conta

A intuição costuma imaginar o dinheiro crescendo em linha reta. Os pesquisadores chamam esse erro de viés do crescimento exponencial, e ele aparece em vários estudos:

  • Num experimento com 99 universitários nos EUA, uma das perguntas era quanto acumula quem deposita US$ 400 por mês a 10% ao ano. Para 40 anos, a resposta mediana ficou abaixo de 10% do valor certo. Na média de todas as perguntas, 90% dos participantes ficaram abaixo do valor certo (McKenzie e Liersch, 2011).
  • Numa amostra representativa de adultos dos EUA, cerca de um terço ignorou os juros compostos por completo, e 96% subestimaram o crescimento, mesmo podendo usar calculadora. Passar de ignorar os juros compostos a acertar a conta está associado a 55% a 90% mais patrimônio acumulado, com os outros fatores iguais (Levy e Tasoff, 2016).
  • Na Suécia, a pergunta era quanto valem 100 coroas depois de 30 anos a 7% ao ano. A resposta certa é 761, e a resposta mediana foi 410 (Almenberg e Gerdes, 2012).
  • Famílias que subestimam o crescimento exponencial tomam mais empréstimos e poupam menos (Stango e Zinman, 2009).
  • No Brasil, numa pesquisa do Banco Central de 2023, com 2.000 entrevistas, só 46,6% das pessoas acertaram a pergunta sobre juros compostos (Banco Central e FGC, 2023).

Mostrar a conta pode ajudar, mas nem sempre. No estudo de 2011, quando o crescimento exponencial da poupança foi mostrado com clareza, estudantes e funcionários de uma grande empresa ficaram mais motivados a poupar. Já no estudo de Levy e Tasoff, um gráfico do crescimento não mudou as respostas.

A regra de 72

Para estimar em quanto tempo um valor dobra, divida 72 pela taxa anual. A 6% ao ano, são 12 anos, e a conta exata dá 11,9 (Weisstein, MathWorld). A regra vale para um valor investido de uma vez, com a taxa constante. Para aportes todo mês não existe um atalho tão simples (McKenzie e Liersch, 2011), e por isso vale fazer a conta.

A média dos anos engana

O rendimento muda de um ano para o outro, e a média simples promete mais do que a carteira entrega. Um ano de alta de 50% seguido de um de queda de 50% tem média zero, mas R$ 100 viram R$ 150 e depois R$ 75.

O que o patrimônio acumula de fato segue a taxa composta, que fica abaixo da média simples quando os anos variam. Em 16 países ricos, de 1870 a 2015, as ações renderam em média 6,89% ao ano acima da inflação, mas a taxa composta foi de 4,64% ao ano (Jordà e outros, 2019). São números de índices, antes de custos e impostos, e o passado não garante o futuro.

Custos e inflação também se compõem

Uma taxa cobrada todo ano se compõe do mesmo jeito, só que contra você. A SEC, que regula o mercado de capitais nos EUA, dá o exemplo de US$ 100.000 investidos por 20 anos, rendendo 4% ao ano. Com uma taxa anual de 1%, a carteira termina quase US$ 30.000 menor do que com uma taxa de 0,25% (SEC, 2014).

No exemplo dos R$ 10.000 por 30 anos, render 5% ao ano em vez de 6%, por causa de taxas, termina em R$ 43.219 em vez de R$ 57.435: quase um quarto a menos. No Brasil, um estudo com 105 fundos de renda fixa de curto prazo que aplicam em títulos públicos, de 2006 a 2020, encontrou desempenho pior nos fundos com taxa de administração maior (Lanza e Silveira, 2024).

A inflação também pesa, porque o que aumenta o que o dinheiro compra é o rendimento acima dela. Se um investimento rende 10% num ano em que os preços sobem 4%, o ganho real é de 5,8%, e não de 6%, porque essa conta também é composta: 1,10 dividido por 1,04 dá 1,058. A Calculadora do Cidadão, do Banco Central, corrige qualquer valor pela inflação de um período.

Quando os juros compostos jogam contra

Numa dívida, a mesma conta trabalha no sentido contrário. Em setembro de 2026, os juros médios do rotativo do cartão de crédito foram de 451,71% ao ano, perto de 15,3% ao mês (Banco Central). Composta, essa taxa dobra uma dívida em menos de 5 meses.

Para dívidas feitas desde 3 de janeiro de 2024, a lei limita os juros e encargos do rotativo: somados, eles não podem passar do valor original da dívida (Lei 14.690/2023; Secom, 2024). Ainda assim, uma dívida de R$ 1.000 pode chegar a R$ 2.000.

O que isso muda numa carreira de investidor

Nas contas deste artigo, três coisas pesam mais do que parece: o tempo que o dinheiro fica investido, a constância dos aportes e o que sai pelo caminho, em taxas, inflação e juros de dívida. As duas primeiras trabalham a favor dos juros compostos. A terceira se compõe do mesmo jeito, no sentido contrário.

Fontes

Quando o artigo da revista é pago, o link leva a uma versão gratuita dos autores, quando ela existe, ou à página com o resumo.

O Aportly faz essa conta em cotas inteiras, sobre as metas que você definiu.

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